| TÓPICO PSICOSSOCIAL:
INTRODUÇÃO Devido à alargada expectativa de vida, das pessoas com fibrose quística (PCFQ), os problemas que as afectam mudaram. Um desses problemas, prende-se com as mudanças em relações interpessoais, imposto pela maioria e, sobre como homens e mulheres, lidam com este aspecto das suas vidas, paralelamente com a doença. Para uma pessoa que está a entrar na maioridade,
a ênfase muda, de depender dos pais, para aumentar a independência
e as relações fora de casa, em termos de amizades e
relações íntimas. Contudo, há aspectos
da FQ que potencialmente tornam estas transições, mais
difíceis e complexas, do que, para a maioria das pessoas. Estes
aspectos, Até aos 20 anos, as mulheres com FQ, têm uma taxa de mortalidade mais baixa, de cerca de 4 anos menos, do que os homens1. A partir dos 20 anos, a sobrevivência torna-se igual para homens e mulheres. Uma alta percentagem dos homens, sofre de infertilidade, devido à sua FQ, em comparação com as mulheres, em que, quase todos os homens são estéreis6. Nas mulheres, apesar das perspectivas em relação à fertilidade, serem melhores do que para os homens, continuam varáveis, enquanto a função pulmonar7,8,9, pode ser profundamente afectada, no decorrer da gravidez. A FQ, também tem sido associada, com um atraso da puberdade10. O uso contínuo de antibióticos em mulheres, pode ser associado à infecção vaginal por Cândidas6, o que, por seu turno, tem o potencial de afectar, as relações sexuais. Para completar e, em relação à função sexual, os sintomas como a tosse ou a falta de ar7 , podem ser potenciais factores de interrupção da intimidade. “Todos estes factores, podem afectar a imagem corporal de PCFQ” PCFQ, geralmente experimentam perda de peso e uma estatura pequena paralela: outras características físicas externas, como peito de barril e dedos em forma de moca e, problemas relacionados com o tratamento tais como, inserção de meios intravenosos e gastrostomia, também se podem apresentar problemáticos. Todos estes factores, podem afectar a imagem corporal de PCFQ. Também existe a pressão suplementar, de contar ao parceiro/a que ele/ela sofrem de FQ e, as dificuldades que essa decisão pode acarretar, em relação aos medos da rejeição7 . Pesquisas anteriores com relevo para o impacto da FQ nas relações, mostraram resultados diversos em relação ao número de pessoas com FQ, que conseguiram alcançar uma vida independente e, iniciaram relações. Algumas estimativas para o estabelecimento de relações íntimas, são tão baixas como 32% enquanto outras, se mantêm acima dos 84%, dos adultos com FQ, que são ou casados, ou cohabitam11,12 . Um estudo mais recente, com relevo para as mulheres com FQ, concluiu que em geral essas mulheres, se sentiam socialmente aceites e, que o atraso na puberdade, não era mostrado como fonte de dificuldade10. Além disso, a maioria das mulheres que constavam do estudo, tornaram-se capazes de estabelecer relações na idade adulta. O presente estudo, orientou-se para o impacto da FQ,
através de uma série de tópicos de discussão,
relacionados com as relações interpessoais e funcionamento
sexual. Este estudo foi abordado numa proposta, para determinar em
que é que homens e mulheres diferiam nas dificuldades relatadas
pelos próprios e, que tópicos eram especialmente problemáticos
para homens e mulheres com FQ. MÉTODO Avaliação dos Aspectos das Relações
Interpessoais 1. Estabelecer novas relações / as
amizades são difíceis por causa da minha FQ. Os artigos são classificados numa escala de 1
a 6 com 1= concordo plenamente e 6 = Não concordo de forma
alguma. Participantes Os dados clínicos e demográficos para
o sexo, idade, FEV1 e BMI foram avaliados
correntemente para todos os pacientes que estiveram na clínica
nesse dia. Um envelope pré-pago, foi incluído para todos
os pacientes, de modo a poderem devolver o questionário. Os
pacientes foram instruídos a devolver os seus questionários
o mais breve possível após a consulta na clínica
– preferivelmente, no prazo de poucos dias. A data da consulta
externa foi registada e, foi pedido aos pacientes que registassem
igualmente, a data em que completaram o questionário. Todos
os questionários incluídos no estudo, foram devolvidos
após uma semana de terem sido distribuídos. A colecta
de dados continuou durante um período de 6 meses. Resultados • Não houve diferenças entre homens
e mulheres para a idade ou percentagem prevista FEV1.
‘A minha FQ torna-me difícil estabelecer relações intimas’ ‘A FQ torna-me difícil manter relações intimas’ ‘Eu preocupo-me que a FQ exerça muita
pressão nos que estão perto de mim’ • Para os 2 artigos relacionados com o estabelecer
e manter relações, as pontuações foram
mais baixas para os homens, indicando que estes têm maiores
dificuldades com estes dois aspectos das relações interpessoais. A percentagem das pessoas que responderam com uma pontuação de 3 ou menos para cada um dos artigos, é apresentada na Tabela 1. A pontuação de 3 ou menos, indica que a pessoa apresenta problemas para esse artigo em particular. Para uma vasta maioria dos artigos entre 25% e 35% dos homens e mulheres, relataram terem tido dificuldades com um artigo em particular, como uma consequência directa das suas FQ. * Altas percentagens de ambos, homens e mulheres, relataram
dificuldades através dos artigos, reflectindo em particular: Tabela 1
Discussão “…revoltados com a sua fertilidade e culpavam-se a si próprios pelo facto” É possível que os homens também
tenham os mesmos tópicos, mas são mais afectados por
estes. Glover et al (1996)14 , descobriu
que os homens que sofriam de infertilidade e, iam às consultas
de sub-fertilidade na clínica, se sentiam “ menos homens”.
Sentiam-se revoltados com a sua fertilidade e culpavam-se a si próprios
pelo facto. Em atenção ao artigo, que refere que uma imagem corporal arruinada, pode ter algum impacto quanto ao tema estabelecer e manter relações, Willis e os seus colegas (2001)17 defendem a opinião, de que em atenção à imagem corporal, homens e mulheres são representados de modo diferente na sociedade. Os homens têm uma imagem que é baseada na expectativa, de manterem uma presença dentro da sociedade, o que reflecte o poder que neles encarna, enquanto as mulheres têm uma imagem de atracção. Isto é apoiado por modelos de papéis sociais, que idealizam as mulheres fisicamente esbeltas, enquanto os homens têm tendência a ser vistos como cada vez mais fortes e musculados. Estes ideais vão contra a norma para os homens com FQ, pois a maioria tem peso abaixo do normal e uma estatura pequena devido à sua FQ. “…as mulheres jovens com FQ tendiam a exagerar na avaliação do seu peso...” Uma pesquisa anterior, demonstrou que por comparação de Controlos de mulheres com e sem FQ as primeiras, eram mais felizes com o seu formato de corpo. Contudo, os homens com FQ, desejavam ser mais pesados do que no momento presente e, curiosamente, a sua própria estimativa para o seu peso corrente, apontava para um peso superior àquele, que eles na realidade tinham18 . Um estudo efectuado por Walters (2001)19, demonstrou que enquanto as mulheres jovens com FQ, tendiam a exagerar na avaliação do seu peso, os homens também com FQ, tendiam a subestimar o seu peso, quando comparado com o peso corporal por percepção. No entanto neste estudo, os homens jovens tinham a percepção, de terem um peso abaixo do normal, o que pode servir para reforçar os sentimentos da não masculinidade. “…as mulheres são mais capazes
de não discutir a sua doença com grupos íntimos
por medo, de falta de consideração para com os seus
sentimentos.” O terceiro tópico no qual homens e mulheres diferiam, reflectia a preocupação de que a FQ, pode causar pressão para as pessoas que se encontram perto deles. As mulheres atingiram pontuações mais baixas do que os homens, indicando assim, que elas se preocupam mais do que os homens, com este aspecto das relações interpessoais. O apoio social tem sido mostrado, como sendo um bom meio de previsão, para o funcionamento psicológico20. Tem sido também demonstrado no passado, que 86% dos adultos com FQ, encontram uma pequena saída, para discutirem os seus sentimentos acerca da sua doença21. Isto podia levar a situações elevadas de conceitos errados, acerca das preocupações com os grupos de amigos. Apesar do período de tempo entre este estudo e a presente data, é curioso que os 86% referidos, são comparáveis ao número de mulheres, que experimentavam neste estudo preocupações, em relação ao facto, da sua doença causar pressão aos que se encontram junto delas. Pode ser por isso o caso, em que as mulheres são mais capazes de não discutir a sua doença com grupos íntimos, por medo de falta de consideração, para com os seus sentimentos. “…falta de compreensão por parte dos amigos sobre as exigências que a FQ coloca aos seus indivíduos...” Para a maioria dos artigos, 25% a 35% dos homens e mulheres experimentavam dificuldades em relações interpessoais, como um resultado directo da sua FQ. Isto indicava que para todos os tópicos explorados, um quarto para dois terços dos indivíduos, acha os aspectos das relações interpessoais problemáticos, devido à sua FQ. Contudo, o reverso da medalha, é que entre 75% a 65% não experimenta dificuldades nas relações interpessoais. Na totalidade, 75% indicaram que as dificuldades encontradas nas relações interpessoais, não tornam a sua qualidade de vida pior. Os níveis de dificuldade mais altos, extendiam-se aos artigos relacionados com a falta de compreensão por parte dos amigos, sobre as exigências que a FQ coloca aos seus indivíduos, isto é, sentir-se diferente em relação aos seus semelhantes, a preocupação de que a FQ possa causar pressão nas pessoas que se encontram junto daquela que tem FQ e, as preocupações relacionadas com as questões de fertilidade. Talvez seja esse o caso, que apesar, de altas percentagens de indivíduos, experimentarem dificuldades particulares para com estes tópicos, possam ser compensados por outras coisas da vida. Conclusão “…porque razão os tópicos destacados no presente estudo são problemáticos” O presente estudo simplesmente quantifica, quantos homens e mulheres experimentam dificuldades com determinados tópicos, relacionados com as relações interpessoais e, se existem muitas diferenças entre homens e mulheres através destas preocupações. O que o estudo não faz, é examinar explicitamente, o porquê destes tópicos serem problemáticos, pelo que apenas se pode especular. A pesquisa futura deve ser lançada, de modo a estabelecer estudos qualitativos que tentem e determinem, porque razão estes estudos destacados presentemente são problemáticos. Estes estudos deviam explorar em profundidade, as dinâmicas destas preocupações e, como é que as PCFQ pensam que o apoio para estes tópicos podia ser aplicado efectivamente. L Gee PhD, D Clin Psy – Departamento de Enfermagem,
Faculdade de Saúde, Universidade de Central Lancashire, UK
Professor J. Abbott, Departamento de Enfermagem, Faculdade
de Saúde, Edifício Greenbank, Universidade de Central
Lancashire, Preston, PR1 2HE, UK Nota do editor: Para uma lista de referências,
contacte-nos por favor: editor@cfww.org |
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